25 MAR 2017

Hipermodernidade e a mesa de jantar!


Lucas Freire

Lucas Freire

Psicólogo e consultor especializado em recursos humanos e em desenvolvimento de jogos e experiências lúdicas

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A vida hipermoderna é cheia de contradições e excessos, e uma das principais características dos nossos tempos é a velocidade. Tudo é rápido, fugaz e isso gera consequências para nossas relações pessoais e familiares.  Abandonamos alguns hábitos e tradições como sentar-se a mesa.

E é sobre isso que quero falar.  Estudos na Escola de Pedagogia de Harvard, nos Estados Unidos, revelaram que quem compartilha regularmente as refeições com a família tem maior bem-estar físico e emocional. Inclusive as crianças tendem a ter melhor desempenho escolar. É verdade! No Centro Nacional de Dependência e Abuso de Drogas da universidade de Columbia (EUA), foi descoberto que quanto mais refeições junto aos pais, mais os filhos se dão bem na escola e atrasam a iniciação sexual; e menos bebem, fumam, usam drogas, ficam deprimidos, brigam ou desenvolvem distúrbios alimentares (como a anorexia).

Um levantamento, realizado em 2007 com 20 mil alunos ingleses de 16 anos, demonstrou uma forte relação entre refeições regulares à noite com a família e o bom desempenho no GCSE – exames escolares feitos por todos os secundaristas da Grã-Bretanha. Ainda na Grâ-Bretanha, segundo os dados da pesquisa, que foram recentemente publicados pelo departamento de “Crianças, Escolas e Famílias” do governo britânico, constatou-se que os melhores resultados estavam entre os filhos de famílias que se reuniam para jantar.

Uma pesquisa realizada pela Universidade Havard, dos Estados Unidos, revelou que a criança que se senta à mesa com os pais alimenta-se melhor em comparação aos coleguinhas que comem sozinhas. Ainda outra pesquisa realizada com 16 mil crianças, de 9 a 14 anos, as frutas e vegetais aparecem quase duas vezes mais no prato daquelas que fazem as refeições com a família ao redor da mesa.

Estes são apenas alguns exemplos de pesquisas recentes sobre o sentar-se a mesa. Todo este impacto deve-se ao fato do poder de hábito angular da refeição em família. Os hábitos angulares são aqueles que exercem grande influência criando e influenciando outros hábitos.  E o principal hábito estimulado nesse momento é o diálogo familiar. Mais importante do que aquilo que se tem sobre a mesa, é a conversa ao redor dela.

Infelizmente outro sintoma dos tempos hipermodernos o fim do dialogo familiar. São as telas que hoje governam nossas comunicações, conexões e contatos. Olhar no olho, conversa e o interesse genuíno pelo outro vem dando lugar pelas curtidas e felicitações automáticas das redes sociais.

Seja no café, almoço, jantar ou até um lanche! Sentar-se a mesa  é grande exercício de doação e troca! E em sua casa, como é?